Enlouquecida.
Rangendo os dentes e deixando todo mundo louco.
Toca a campainha e eu corro dentro de casa esbarrando nos móveis e cultivando os hematomas nas coxas. Na boa, não prometa NADA para uma pessoa como eu. Eu sou terrível. Eu pareço criança esperando os convidados no dia do aniversário. Eu fumo mil cigarros, eu rôo as unhas que costumavam ser impecáveis, eu ligo para o João quinze vezes para reclamar. Eu ligo para todo mundo para reclamar. Só fico satisfeita quando toda a minha agenda do celular sabe pelo que eu estou passando. E dá-lhe chá de camomila, água com açúcar, príncipe valium e whisky barato. Nada. Eu checo se o interfone está no gancho mil vezes. Nada. Eu ligo para mim mesma para ver se o celular está dentro da área de cobertura. Nada. Eu puxo assunto com os vizinhos para justificar minha monitoria na varanda.
Grito o nome de qualquer um embaixo da mesa três vezes.
Nada.
Seis horas.
Ele não vem.
Ele me ligou quinze vezes dizendo que vinha.
Ele não veio.
Eu fico puta. Ligo pra companhia xingando toda a geração de entregadores, mando enfiar em qualquer orifício. Sou bem boa em mandar os outros fazerem isso.
Moço, NUNCA prometa para uma pessoa ligada em 220 na tomada da ansiedade e não cumpra. Essas pessoas enlouquecem. Saem da pele. Soltam fogo por qualquer buraco aberto. Qualquer.
Eu estou esperando.
Eles ficaram com medo de mim.
Amanhã às 7 da manhã prometeram.
Preparo a espingarda.
Vou para a porta.
Espero.
Nada.
terça-feira, dezembro 04, 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário