Fui retirada a fórceps. Fui trazida ao mundo antes que as dores do parto tomassem conta de mamãe. As dores viriam depois, 25 anos de puro prazer em ser a minha mãe. Isso não foi uma coisa fácil. De pessoas com problemas-em-controlar-o-temperamento já lhe bastava papai. Mas ela me teve. E me aturou. E me atura. E compra jabuticabas para mim e me obriga a almoçar na casa dela de vez em quando. Ela sabe que se depender de mim eu como queijo e gelatina com cerveja para sempre.
Mas o caso é que eu tenho 25 anos e já passei da fase de ter vergonha das coisas que eu gosto. E vocês sabem que os meus amores tendem a ser eternos. Só não são porque eu não sei perdoar. Não sou boa com perdão. Mas se não houver motivo para perdão carrego meus amores para sempre. Nesse black tangled heart há espaço de sobra. Mesmo que sempre insistam em partir dele. Eu sofro. Mas agüento porque minhas costas são fortes e não se quebram com facilidade.
Mas eu dizia que já passei da fase de sentir vergonha pelas coisas que amo. Já disse publicamente que gosto do George Michael e danço com o for the feet e choro pelo for the heart.
E isso tudo me leva a organização dos meus cds hoje de tarde. Sentada no chão com os cabelos pro alto e chorando sem saber o que fazer com todos aqueles cds e nenhum móvel ou gaveta para entulhar. O João é o cara que tem os cds mais legais do mundo. Uma grande variedade de conhecidos e muitos desconhecidos. Vamos lá, o rapaz já escreveu para uma revista de música e na minha opinião coruja os textos dele eram os mais legais.
Olhando os meus cds encontrei um que vem a ser todo o meu motivo de perda de vergonha na cara.
Pois então.
Vim desabafar.
E agora por pensar que não tenho mais vergonha, porque já passei dessa idade, vim dizer queouvi a tarde inteira e fiquei cantando todas as canções não-esquecidas lá no fundo da minha memória de elefante que eu me orgulho em ter.
Mas agora, sinto que a vergonha voltou, e eu vou ali lavar o banheiro, tomar cerveja, ouvir

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