O ano acabou.
Para mim acabou.
Muita coisa ainda está para acontecer, eu sei. Compromissos e compromissos para esses últimos dias, mas lá dentro, dentro de mim, 2007 acabou.
Minha vizinha arrumou a árvore para os filhos pequenos. Eles eram pura alegria. Eu arrumei meus armários e joguei tudo fora. Acordei louca, arranquei tudo de dentro, espalhei pelo chão. Dei as minhas roupas, dei as roupas do João. Já não guardo nada que não me sirva. Me arrependi de ter queimado meus diários da pré-adolescência, mas não sinto falta deles. Eu quero que 2008 seja repleto de espaço para coisas novas.
Senti que o meu pior ciclo chegou ao fim. O meu ciclo de confusão e cinzas, e chegou ao fim com direito a pá, cova e terra.
Muitas confusões ainda virão porque eu sou eu e sempre serei. Mas o que me vem agora eu não conheço, e é desse jeito que eu gosto, olhar pra frente e não ver direção. É nesse estado que me acho.
De 2007 fica a minha viagem a Buenos Aires, parte fundamental de muitas coisas que foram brotadas, a obra maldita que me pôs suspensa no ar sem rede de proteção por 8 meses, as cordas pobres de sustentação que se romperam dentro de mim, o fim do meu ostracismo absoluto e a sorte de encontrar conexões inexplicáveis e amizades próximas e distantes que me olham no olho, seguram na minha mão e riem da cara do mundo. E principalmente o papel principal e até maior que o meu que Ele tem.
Hoje é 23 de novembro e eu estou satisfeita.
Aguardando as páginas dos próximos capítulos.
sexta-feira, novembro 23, 2007
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