Ter uma infância e uma adolescência esquisita faz você se sentir muito especial com a passagem dos anos. Quando eu via os meus amiguinhos sendo os primeiros da classe e depois pensando nas muitas carreiras que poderiam exercer se quisessem, eu não os invejava. Quando chegou a faculdade e todos eles fizeram milhares de amizades, acamparam no mato e transaram em volta das lareiras sendo jovens e felizes e sonhando com o dia que eles se formassem, ganhassem dinheiro, fossem realmente e-s-p-e-c-i-a-i-s naquilo que exerciam, eu estava ocupada arrancando os cotovelos da vida do meio das minhas costelas. Eles sonhavam com o dia em que os aplausos esperados e o sentimento de preenchimento seriam palpáveis como uma parede de aço, e eu por razões óbvias não compartilhei desses sentimentos.
Pensar que você não serve para nada e que não faz nada de bom durante um longo período da vida é de certa forma edificante. Eu deixei as coisas acontecerem sem planos e quando todos davam com a cara no chão ao perceber que jamais seriam a metade das coisas que sonhavam em ser, eu já tinha colocado meus dentes no lugar, cuspido o sangue, sacudido as cinzas do vestido e calçado as minhas botas. Não fui ensinada a ser qualquer coisa, fui ensinada e me tornar certa coisa por meu próprio mérito.
Se algo desperta o meu desejo eu persigo implacavelmente porque sei que as coisas boas felizmente não nascem em árvores. O pior é ter que ouvir que elas são fáceis para mim. Que eu sempre arrumo um jeito de conseguir o que quero. Isso é verdade, mas ninguém conhece os arranhões que ficam na pele e os mortos e os escombros que você acaba deixando pelo caminho.
terça-feira, novembro 06, 2007
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