segunda-feira, outubro 01, 2007

walk on the wild side

Quinta-feira quase aconteceu de novo. Rumei ao salão para pintar as unhas e acabei sentada na cadeira da Stephani implorando. Stephani, que como o próprio nome muitas vezes implica, “raspou as pernas e então ele era ela”, e que corta cabelos como muito cabeleireiro de madame não sabe. Stephani com as giletes é a melhor. Às vezes aparece cortada no salão por causa de briga, e isso aumenta o meu respeito. Pedi a ela que me tosasse, pedi que me depenasse, chorei que desistia de ser cabeluda, que não agüentava esperar, que eu não conseguia. Mas Stephani me ameaçou, disse que vai correr ordem nos salões das vizinhanças da mesma forma que mandou correr ordem para impedir que os botecos vendessem cana para o seu amor. Stephani é uma sacana. Eu não cortei o cabelo.

Voltei para casa cultivando o meu sonho atual em me transformar numa cabeluda, mulherzinha em potencial. Quem sabe daqui a um ano? Um dia ainda escrevo sobre Stephani e os meus cabelos a la cubanita.

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Às vezes brinco que sou a garota da letra de Common People do Pulp. Eu cortei o cabelo – e depois deixei crescer – sai de casa, esqueci a faculdade e comecei tudo sozinha. A diferença é que lá no trabalho todas as meninas da minha idade já usam o raquítico salário para sustentar filho, marido, mãe e pai. Enquanto eu – bem casada e com apenas com uma filha canina – só preciso me preocupar em manter cerveja na geladeira, ração para a filha e azeitonas pretas para o marido. A saúde vai bem obrigada.

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Gripe. Castigo dos céus. Sono, dor no corpo, garganta com dois gatos dentro. Quero cama. Quero massagem nos pés e chá quente. Chocolate quente pode ser também. Quero acordar em 2008. Será que se eu desejar com força acontece?

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