segunda-feira, outubro 08, 2007

má como eu

Sempre fico com a sensação de ser bruta demais. Fora do trabalho não há ninguém, mas por causa do trabalho João vai de um extremo ao outro conhecendo de motoboys a escritores metidos a besta. E às vezes topa com aqueles que eu jamais faria amizade – devo me julgar muito superior. Confesso que sou preconceituosa com pessoas metidas a articuladas ou refinadas. É preconceito vivo mesmo. É dificil respeitar opiniões refinadas porque elas sempre me parecem muito superficiais. É ainda mais dificil disassociar que não é porque sou sua amiga que sou como você. Eu sou amiga de travecos, cabelereiros que moram no complexo do alemão - e que ao invés de maquiagem pronunciam “maquinagem” – e pessoas simples que bebem cerveja no gargalo e entendem de ironia/sarcasmo e com o maravilhoso e raro dom de compreender/exercer senso critico e senso de humor. Eu falo de sacanagem, uso todos os palavrões que conheço numa sentença e defendo as minhas opiniões como se fossem a minha cria. Sou implacável. Implacável a ponto de no meio de uma noite já cervejada anunciar, sem papas, que jamais me casaria com um intelectual de merda. E anunciar a alguém que se julga um intelectual de merda. Rainha em criar situações inconfortáveis. Estou só nessa disputa.

Daí a minha brutalidade. E às vezes acho que esperam que mulheres sejam menos brutas. Ou me julgam pela capa e me consideram incapaz de tal atrocidade. Ao menos causo surpresa, depois do desconforto.

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