Não acordei a tempo da primeira aula. Achei melhor assistir a segunda apenas para a consciência não ficar pesada – finjo que tenho uma. Está um sol de janeiro lá fora e eu preciso arrumar coragem para sair do ar condicionado, estresse número 1. Eu saio com roupas de verão. Antes de chegar ao local destinado, estresse número 2: caminhões da bope e do choque fecham as três avenidas principais e de dentro deles correm homens enormes armados até os dentes. Eu apresso o passo e não fico para ver o final da história. Já estou em quase todas as estatísticas e não quero estar em mais uma. Chego a faculdade suando dentro das minhas roupas, infeliz e amaldiçoando o fato de ter saído de casa.
Não há aula.
Estresse número três mil.
Caminho de volta para casa e quando chego fumo uns cigarros. Estou tentando parar com eles eu sei, mas eu mereço. Está calor, eu saí, eu enfrentei perigos, eu mereço aqueles cigarros.
Já entendi faz tempo que o meu lugar não é mais nessa cidade quente e feia e suja e estéril. O Rio de Janeiro é uma puta barata, feia, sem dentes e que não toma banho e que não vale nada. O Rio é imprestável.
Hoje estou indo embora andar na grama descalça, encher a bolsa de livros e discos, abrir uma garrafa de uísque na beira da piscina e simplesmente existir por todo o feriado.
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